19 de fevereiro de 2013

Best of Web 2012

Apesar de tudo, o mundo vai ficando cada vez mais legal.

25 de janeiro de 2013

Economia voltando com tudo em 2013!?

Gosto muito de economia. Ela não é uma ciência exata, não tem lógica, depende das emoções humanas, ou seja, é como jogar dados. Não adianta estar tudo bem, todo mundo cheio de dinheiro, uma empresa ser espetacular, se quem toma a decisão decidiu vender por que está com medo, ou se vislumbrou uma melhor oportunidade, o ativo vai cair no curto prazo, mesmo a empresa sendo boa.

Mas eu tenho notado algo diferente em 2013. Tenho humildemente percebido muitos negócios acontecendo e muitas oportunidades surgindo. Isso é portanto minha percepção pessoal. Eu nunca vi o mercado tão quente, mas também não sou tão velho assim...

Além do Mercado estar fervendo, o índice do medo nunca esteve tão baixo desde 2008. Pouco medo faz as pessoas abrirem a mão e investir.
VIX - O "Índice do medo"

Outra coisa muito importante: Investidores estrangeiros estão comprando tudo, e as pessoas físicas (CPFs) estão saindo da bolsa. Historicamente é comum ver pessoas físicas sempre indo na contra-mão quando se fala de investimentos.

Fluxo do Bovespa por tipo de investidor

Ao mesmo tempo que isso ocorre, o número de aplicação em Poupança bateu recorde. Bom para os bancos que conseguem dinheiro muito mais barato para investir. Ou seja, pessoas físicas caindo fora da bolsa.

Notícia: Captação da Poupança bate recorde histórico.

Como economia não há lógica, ninguém sabe o que pode acontecer. Mas eu acho que as coisas vão voltar a ficar boas para nós em 2013. 
A Espanha bateu recorde de desemprego novamente em Janeiro/2013, mas mesmo assim as ações continuaram a subir. O mercado já caiu tanto que os preços já podem ter sido descontados.

Sempre tentamos adivinhar o futuro e as chances de perder dinheiro com isso são grandes. Não tem como garantir a decisão dos indivíduos coletivamente. O mercado possui o próprio caos em sua plenitude, mas o caos nas oscilações, pois o mercado é organizado, é claro.

Já que não podemos adivinhar o futuro, o jeito é seguir trabalhando e sempre investindo em empresas boas que respeitam os pequenos investidores, aliás, estando o mercado ruim ou não essa deve ser sempre a estratégia, e em tempos de crise, quando as pessoas estiverem se desfazendo de seus patrimônios valiosos com uma velocidade maior que outras conseguem comprar, é sua chance, pois economia acontece em ondas, e não tente surfar (especular) se você não está disposto a nadar quando cair.

3 de janeiro de 2013

É fácil olhar pelo retrovisor


Outro bom artigo do Stephen Kanitz. É muito fácil olhar pelo retrovisor, falar do passado, criticar erros e etc. Quero ver ter coragem para andar onde ninguém andou.

Jornalismo do Deboche

Muitos leitores perguntam por que nunca escrevo artigos ridicularizando George W. Bush, desancando o governo PT ou ridicularizando as bobagens ditas por algum de nossos governantes. 

Não faço este tipo de colunismo porque é ilimitada a quantidade de bobagens feitas por seres humanos. Estaríamos destruindo todo o papel do planeta se comentássemos cada besteira feita. Depois, o tempo do leitor é curto, um jornalismo construtivo deveria também divulgar possíveis soluções e não ficar somente na crítica dos erros dos outros. 

Leitores são presas fáceis desta forma de crítica jornalística, porque ela insinua equivocadamente que somos superiores aos nossos semelhantes, governantes e amigos. 

Noventa por cento das nossas conversas é para se comentar gafes e fracassos dos amigos, nunca suas conquistas e realizações, por isto nunca sou o primeiro a sair de uma festa de amigos. 

O jornalista do deboche sabe que o sucesso do outro incomoda, e se aproveita disto. O jornalismo do deboche não somente mostra que somos supostamente mais inteligentes do que os que estão no poder, mas tem uma outra coisa “freudianamente” muito importante: mostra que o colunista é mais inteligente do que todos nós juntos. 

Não pelas suas idéias originais, critério único para se medir inteligência, mas pela burrice dos outros que o jornalismo do deboche tem o prazer de desancar. Como o debochador sempre trata do passado, quando os erros já são óbvios e evidentes, ele tem sempre a vantagem da onisciência, algo que o governante não teve na hora da sua decisão.

Não faço referência àqueles que escrevem uma crítica de forma construtiva, precisamos ser informados das mazelas e erros do governo. Um artigo debochado de vez em quando nos faz rir e permite agüentar o fardo da incompetência alheia. Mas muitos fazem do deboche a sua especialidade, sua razão de ser. 

O jornalismo deve criticar e ao mesmo tempo propor soluções para serem discutidas, inclusive correr o risco de ver a idéia debochada. Só que aí, o artigo teria de ser inovador, competente, criativo, sensato, conciliador, persuasivo e corajoso. A crítica barata é muito mais fácil do que a análise profunda. A análise requer pesquisa, números e estatísticas, o deboche só precisa de uma língua afiada.

Se você adora o jornalismo do deboche, porque ele é engraçado, lembre-se que você está rindo de si mesmo, e embora autocrítica e umas risadas sejam sadias, limitar-se a isto é dar um tiro no pé. O Brasil está diariamente dando tiros no pé, e achando graça.

Num congresso de estudantes colocaram-me para falar em penúltimo lugar, e o encerramento foi feito por um profissional do deboche. Ele simplesmente destruiu o meu discurso otimista anterior, dizendo que o Brasil jamais daria certo, de que estávamos condenados pelo gene do patrimonialismo português, que o fracasso estava no nosso sangue, e assim por diante. Para a minha grande surpresa, a platéia simplesmente adorou. Riam a valer, e no final aplaudiram de pé. Inacreditável para mim!

Se um grande intelectual prevê que o Brasil jamais dará certo, não precisamos nos esforçar. Pode-se justificar o nosso fracasso pessoal, nossa mediocridade individual, como sendo inevitável, é nosso destino. “Não preciso melhorar, a culpa não é minha, a culpa é do Brasil, a culpa é dos portugueses”.

Muitos de nossos intelectuais jogam para a platéia, curvando-se à força do mercado, um discurso de que jamais daremos certo, quando a função do intelectual seria justamente mostrar as soluções, mostrar o caminho, mostrar o que nós pobres mortais não vemos. 

Onde estão os poetas que antes nos inspiravam e motivavam, onde estão os filósofos que nos mostravam a essência do que está ocorrendo, onde estão os padres com seus sermões edificantes, onde estão os visionários que nos mostravam o caminho? Eles estão presentes como sempre estiveram, mas hoje estão sem platéia, porque o jovem brasileiro está encantado com o discurso do deboche, é sempre mais fácil culpar os outros.

O jornalismo do deboche é um fenômeno mundial, atingiu até o New York Times. Se acabou acreditando que você é mais competente que Lula, FHC ou Bush, consulte um especialista. 

O mundo não é tão simples nem tão ridículo quando lhe fizeram imaginar. Graças a Deus!


Stephen Kanitz

Fonte: http://www.kanitz.com/impublicaveis/jornalismo_do_deboche.asp

18 de dezembro de 2012

Opinião sobre o livro "A Cauda Longa (The Long Tail)"

O Livro a Cauda Longa foi escrito pelo editor chefe da excelente revista Wired.


Basicamente faz uma viagem local sobre como o mercado digital, com sua prateleira infinita, forma  uma cabeça, no gráfico de vendas, formadas por hits que se estendem por uma longa cauda, a "Cauda longa". Essa cauda é maior que o mercado de hits que forma a cabeça do gráfico.



Um livro muito bem escrito onde o autor leva o leitora à uma análise sobre a nossa economia atual.
Segundo o autor, os mercados de prateleiras e os hits estão tendo cada vez menos influência, apesar de que nunca vão sumir. Vão ser sempre uma base e um chamariz para os mercados digitais infinitos, formando a cabeça do gráfico. Os hits são essenciais para que os nichos encontrem seu conteúdo mais específico.

Para os nichos encontrarem o que procuram, dependem muito da tecnologia da informação e das "playlists" para separar as recomendações. As playlists possuem a qualidade assegurada pela inteligência das massas. O antigo site mp3.com falhou, tinha muito conteúdo livre, mas ninguém encontrava o que procurava. Era um "monte de lixo"na percepção individual de cada um. Apple fez o mesmo modelo com iTunes, porém com contratos com gravadoras, trouxe muitos hits que chamou o público.

O autor cita diversos exemplos, fazendo comparações e reflexões sobre o Google, Wikipedia com a Enciclopédia Britânica, Ebay, Amazon, BestBuy, iTunes. Também fala sobre modelos de negócios digitais,  os tradicionais de tijolo e cimento, e o mesclados.

Cada vez as ferramentas de produção de conteúdo estão ficando mais baratas e acessíveis, qualquer um pode produzir vídeos, livros e materiais de qualidade (ou não). Esses autores podem disponibilizar suas obras nas mesmas prateleiras digitais dos grandes players. Haverá sempre muito lixo, mas a tecnologia da informação sempre fará as pessoas encontrarem o conteúdo valioso que procuram.

Um livro realmente muito bom pra quem gosta de negócios.

13 de dezembro de 2012

Tivemos mais um grande ano

Como de costume, a retrospectiva Google.

O que buscamos diz muito sobre nós mesmos



"Never stop searching"


1 de dezembro de 2012

Terra 2050 - Documentário feito pela Shell

Muito legal o documentário da Shell mostrando como anda as pesquisas para construir as cidades do futuro.
Mega cidades irão surgir, mas do jeito que são feitas hoje não é possível.
Aparece no documentário também o Brasil, como pioneiro na fabricação de combustíveis renováveis lá em 1975.


Particularmente eu não gosto de usar carro pra tudo, mas hoje não há opção. As cidades devem ser feitas para pessoas e não para carros. O nosso tempo é o que existe de mais precioso, devemos gastá-lo com nossa família e amigos e não indo e voltando do trabalho.

29 de novembro de 2012

Democracia Negativa

Gostaríamos que nosso país adotasse esse tipo de democracia.

Texto de Stephen Kanitz:


As 37 formas de democracia listadas na Wikipédia são basicamente variações sobre o mesmo tema: eleitores votam diretamente nas questões que lhes interessam, como na Grécia, ou votam em representantes que vão administrar e decidir por eles, como no Brasil. Crescem a cada eleição a desilusão e a sensação de que a democracia não está funcionando, e só permanece como instituição "porque não há forma melhor". Existe uma outra forma de democracia, que não é listada na Wikipédia, e que vou chamar de democracia negativa. Ela existe, e já foi implantada milhares de vezes, normalmente nas empresas de capital aberto.

Nelas, os acionistas não elegem seus representantes nem votam nas questões do dia-a-dia empresarial. O presidente, e algumas vezes toda a diretoria, é escolhido por um conselho de acionistas composto de presidentes de outras empresas, líderes comunitários e especialistas. Essa escolha é feita levando-se em conta a capacidade administrativa dos candidatos, a experiência prática efetiva e a escolaridade técnica. Amador não entra. Muitas vezes é um funcionário com anos de casa, que já sabe exatamente o que deve ser feito, desde o primeiro dia.

Na democracia negativa o presidente não é eleito pelas promessas de campanha ou pelas suas projeções de lucro. Os acionistas nem têm como escolher o mais charmoso, o mais simpático ou o mais mentiroso. Os acionistas, os legítimos donos da empresa, apesar de qualificados, sabem que não têm tempo para analisar cada um dos candidatos, e sabem que escolher no tapa, na semana anterior, não é uma boa decisão. Sabem também que não têm as competências necessárias para decidir quem seria o melhor administrador da "máquina" com todas as suas peculiaridades. Não se vêem campanhas eleitorais nessas empresas, que não gastam fortunas em eleições, embora sejam justamente as que mais dinheiro teriam para isso. O conselho de administração escolhe quem é bom no batente e não quem é bom de voto.

Nas democracias negativas existe, sim, o direito de voto, mas se vota contra, daí o nome. Os acionistas têm o direito de chamar uma assembléia extraordinária a qualquer momento e demitir o presidente (mal) escolhido – o que acontece com freqüência. Demite-se também o conselho que o escolheu. Hoje em dia, na democracia, também se vota contra, especialmente no segundo turno, cada vez com mais freqüência, o que gera enorme frustração na população, para a alegria do candidato eleito. Nenhum conselho de empresas escolhe o menos ruim para tocar a companhia, como muitas vezes fazemos.

Não confunda com o impeachment, em que há a exigência de um crime definido. Na democracia negativa basta os acionistas mudarem de idéia ou ficarem insatisfeitos. Poderíamos caminhar na direção de uma democracia negativa no Brasil, aproveitando o espírito desse conceito, sem ter de copiar o que as empresas de capital aberto fazem. Poderíamos reconhecer os votos nulo e em branco como sendo votos contra. Se 50% dos votos fossem em branco, mostrando nossa insatisfação com os candidatos apresentados pelos caciques políticos sem nenhum critério profissional, nova eleição seria convocada com novos candidatos, até acertarmos.

Outra característica da democracia negativa que poderíamos facilmente adotar é a obrigatoriedade de um mestrado em administração de todo candidato a um cargo executivo. Atualmente a democracia legitima profissionais de outras áreas a exercer ilegalmente a profissão de administrador, quando deveria ser o contrário. Alguém que está disposto a ser prefeito ou governador por oito anos não tem desculpa para não estudar e se preparar por dois anos num mestrado de administração. Amadorismo sai caro. Curiosamente, 23 milhões de brasileiros já aceitam a democracia negativa, acionistas que são da Petrobras, da Vale e de outras companhias. Precisamos discutir e aprimorar a nossa democracia, reduzir as promessas e a gastança, e melhorar a qualidade dos candidatos para estancar a visível deterioração dessa preciosa instituição.

Stephen Kanitz é formado pela Harvard Business School (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 2081, ano 41, nº 40, 8 de outubro de 2008, página 24